Em 2014, 50 anos do Golpe Militar, 20 anos do Filme : Lamarca. Hoje cinema no Blog.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
LAUDA XXXV
Hoje, por especiais razões, este bolg recebe
uma colaboração de autoria estranha ao escritor que aqui em geral publica.
Nesse sentido, apresento o texto de Olivia Maia, que comenta sobre um viés bem
característico um dos mais intrigantes fenômenos contemporâneos – o fetiche. Sem
mais, deixo-vos com o post de hoje.
Boa leitura.
"Primeiro estranha-se, depois entranha-se". Fernando Pessoa ( para uma propaganda da bebida em Portugal nos anos 20).
C.C.S.Alvarenga.
COCA-COLA –
o fetiche colonizador
Coca: a folha sagrada andina.
Cola:
a noz sagrada mandengue.
América e África,
matéria prima e força de trabalho do produto do mundo moderno? Em concomitância
com a apropriação destas fontes e forças, para uma finalidade mercadológica a
princípio e especulativa no contexto contemporâneo, nada mais natural que o
ícone de uma sociedade de pretensão globalizante seja o resultado da junção das
substâncias de poder dos maiores impérios colonizados pelo grande império do capital.
Coca-Cola é o ícone
sagrado do capitalismo. Um líquido que nasceu junto com a burguesia
norte-americana. Para o qual foi criado o grande culto à imagem. Elemento de
consagração da venda do american way of
life. Que reúne em sua embalagem exclusiva a combinação do poder mítico ancestral
e o poder economicamente racionalizado. Açúcar, cafeína, corante coral, as
matérias primas do mercantilismo e venenos que geraram os ovos da serpente da
sociedade de controle contemporânea.
Em seu artigo Feitiçaria: Terminologia e Apropriações, publicado em 2009 na
revista Sankofa, Suzane Pinho Pêpe atribui ao europeu a visão sobre as práticas
rituais africanas que as concebe enquanto fetiche e idolatria. Tal entendimento
só poderia vir a partir de uma concepção ocidental, que tende a uma espiritualidade
nestes termos. Ao apresentar as maneiras como o termo Fetiche, derivado de
feitiçaria – coisa feita – foi se
atualizando ela nos revela como a modernidade capitalista se baseia em
idolatrias e fetiches.
Dois pensadores voltados para o estudo
da indústria cultural na pós-modernidade, Theodor Adorno e Max Horkheimer (1977
apud FONTENELLE, pp. 79-80), fizeram um paralelo entre a visão de Freud e a de
Marx, e propuseram a ideia de que se estaria vivendo uma “perversão da
cultura”, provocada por uma forma social fetichista. Estenderam suas análises
para a realidade histórica americana no contexto da indústria cultural, em que
tudo se torna negócio. A denúncia de uma total “fetichização da cultura”
contribuiu para a teoria crítica da sociedade contemporânea, baseada na
exacerbação das relações de produção e consumo, na descartabilidade,
desterritorialização e descontinuidade temporal. (PÊPE, 2009, p.63)
O filme Cola-Conquest
nos apresenta diversas facetas deste fetiche e desta prática de idolatria, que
é o consumo da Coca-Cola, como uma genealogia da contemporaneidade.
Beira de mar
Beira de mar
Beira de mar na América
do Sul
Um selvagem levanta o
braço
Abre a mão e tira um
caju
Um momento de grande
amor
De grande amor
Copacabana
Copacabana
Louca total e
completamente louca
A menina muito contente
Toca a coca-cola na
boca
Um momento de puro amor
De puro amor
Referências
PÊPE, Suzane Pinho. Feitiçaria: Terminologia e Apropriações. In: Sankofa. Revista de
História da África e de Estudos da Diáspora Africana – nº 3 junho/2009.
VELOSO, Caetano. Jóia. In: Jóia, 1975.
sexta-feira, 21 de março de 2014
LAUDA XXXIV
Alguns
livros, contam sobre fatos, histórias, contos ou fábulas, mitos ou teorias,
métodos etc., outros retomam
e nos remonta a toda uma época. A distância entre o clima mental renascentista
– envolto em ares de modernidade – e a atmosfera enevoada do baixo medievo
sobre a relação entre a tradição helênica e a mentalidade racionalista se torna
observável, a partir do momento em que se passa a dar mais importância às fontes
de pesquisa, principalmente enquanto consulta para referência crítica das
indicações bibliográficas e possibilidade de averiguação da credibilidade das
referidas citações, apontadas com elementos de distinção entre períodos e
visões das ciências humanas e sociais sobre a sociedade.
A
teoria é como ter a visão de um pensamento ainda não escrito, o olhar por sobre
uma realidade ainda não revelada. Constata-se a imagem do (e|ou) no espelho
como metáfora da reflexividade e circularidade da representação da modernidade
no contemporâneo. A projeção de uma visão de conjectura sistemática é a espécie
história social sociologizada. A conjuntura social da modernidade revelou o
intelectual renascentista, posto entre a socioestética humanista o código de
honra e virtude herdado da teologia católica frente a paradigmas oriundos de um
modelo posto num estilo determinado pela língua sejam as latinas (italiana,
francesa, espanhola e portuguesa) ou as germânicas ou anglo-saxônicas. Essas
tradições construídas enquanto traduções e citações de um conhecimento
compreendido entre a razão e magia, entre a Alquimia de Paracelsus ou a Cabala
de Alberti, apresenta uma síntese de um significado de visão de mundo e prova
do temperamento da cultura moderna.
A
escrita por meio da reprodução dos copistas foi, aos poucos, substituída pela
vocação à escrita pela escrita. A razão viria para espantar os “fantasmas da febre” no delírio assombroso que a metafísica
da Igreja legou aos fiéis, sendo posto a prova com argumentos de uma consciência
científica e filosoficamente materialista. A saber, pela visão de Santo
Agostinho e São Tomás de Aquino, retomando em princípio Aristóteles. O ócio, o
desejo de aprender, a vida livre, a ausência de regras definidas além da
possibilidade de contemplação da vida era a condição desse novo pensador
renascentista, aliado a figura grega do mentor enquanto o jovem intelectual
torna-se um escrivão das lições aprendidas. O mestre acompanha até onde pode
seu discípulo o ensinando sobre a distinção entre a verdade e sua suspensão de
validade se não for verificável em ideias e em realismo.
A
academia atual ainda preserva esse papel de um preceptor intelectual como no
caso das relações entre orientadores e orientandos. A busca por um discurso
onde a palavra em si consiga dar provas de percuciência, sem procurar opor
diretamente os sentidos e a tecnologia, as obras da mente humana como máquinas
e engenharias, são tomadas como fatos naturais antes da revolução científica,
como o exemplo da teoria da Evolução, consideradas como derivada de causas
divinas.
No
entanto cabe a mim lembrar que os pensamentos estão na mente, um lugar que não
reconhece como limite a natureza. Oxalá “que minha mão não trema” no momento de principiar a observação
da dedução do grande mundo social ante os espelhos dos grandes livros e
imagens, essas escrituras que, a partir de agora, científicas e racionais,
passam a compreender e modelar a realidade.
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Academia,
Alquimia,
Aristóteles,
Cabala,
São Tomas de Aquino
quinta-feira, 20 de março de 2014
Zauber Zeit Entwurf
Or the science of reborn.
Hoje,
20 de março, eu e mais alguns intelectuais brasileiros como :
Luis Flávio Reis Godinho, Luiz Paulo Oliveira,
Salete Nery, Wilson Rogério, Valdir Alves, Cesar Damásio, Ezequias Amorim Oliveira, Maurício F. Silva, Jurema
Machado, Sílvio Benevides, Antonio Eduardo, Graça
Druck, Selma Silva, Jair Silva, Antônio da Silva
Câmara, Adriano Pereira Santos, Giuliana Franco
Leal, Cristiano Ramalho, Paulo Sérgio da Costa
Neves, Claudete Gomes, Danilo Martuscelli, Geraldo
Augusto, Angêla Maria Araujo, Maíra Abreu, Tete
Magalhães e o Centro Acadêmico Ciências Sociais da UNIFAL
recebemos
em nossas caixas de entrada um importante email encaminhado pelo
Cientista Social marxista Bruno Durães.
Este
Blog, havia se encerrado por motivos que não quero agora comentar. Não são o
mais importante neste momento. Agora, o que importa é atentarmos para a
atual situação institucional da sociologia no ensino médio. Segundo o
email, há um deputado federal (Ilzaci Lucas Ferreira PSDB/SP) tentando retirar
a sociologia e a filosofia do currículo escolar. Atenção, muita atenção.
Esse movimento assemelha-se ao movimento da ditadura. Estamos de olho e
ficaremos atentos para preservar nossos direitos e nossos saberes. Nesse
sentido, encaminham-se para ser assinada uma petição e os links onde
se pode ler mais sobre o assunto.
===
§
Ao
Presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves: Nós somos contra o
Projeto de Lei nº 6.003, 2013
"O
Projeto de Lei nº 6.003, 2013 do Deputado Federal Izalci (PSDB) visa a
alteração dos arts. 9º, 35 e 36 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, de
diretrizes e bases da educação nacional (LDB). O artigo 36 diz respeito à
obrigatoriedade das disciplinas de Filosofia e Sociologia nos currículos
escolares. E o Deputado Izalci deseja eliminar essa obrigatoriedade, ele
pretende criar uma única disciplina, a fim de suprir o exercício de cidadania.
O problema
disso, além de tratar como uma única disciplina, duas áreas do conhecimento que
são completamente distintas, é a perda nos currículos escolares, uma vez que
não sendo obrigatórias, diversas escolas podem optar por não disponibilizarem o
conteúdo. E ainda que esteja disponível nas escolas, direcionar a Filosofia e
Sociologia para o exercício da cidadania é despotencializar o que essas
disciplinas tem a oferecer, qual seja, os conhecimentos reflexivo e crítico.
Não podemos permitir que nos tirem o aprendizado que extrapola a formalidade das demais disciplinas. É preciso que os jovens tenham a oportunidade de aprenderem a pensar por si mesmos, entretanto, com embasamento teórico e prático para fazê-lo e, ao eliminar a obrigatoriedade da Filosofia e Sociologia da grade curricular, estamos correndo o risco de deixar que formem no ensino médio jovens alienados e sem teor crítico. "
Não podemos permitir que nos tirem o aprendizado que extrapola a formalidade das demais disciplinas. É preciso que os jovens tenham a oportunidade de aprenderem a pensar por si mesmos, entretanto, com embasamento teórico e prático para fazê-lo e, ao eliminar a obrigatoriedade da Filosofia e Sociologia da grade curricular, estamos correndo o risco de deixar que formem no ensino médio jovens alienados e sem teor crítico. "
§
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Queime quando acabar de ler.
![]() |
| Escola de Sociologia e Política de São Paulo, 1972. Foto de Claudio Kahns |
Razões
suficientes para me aventurar nesta empresa, seja ela um ciber-espaço para atualizações, ou o acompanhamento de investigações de fundo
crítico-sócio-histórico-literário, ainda que em forma embrionária, encontraram
sua gênese, em opiniões que por algum motivo aleatório, se apresentaram como
possíveis pontos de vista com os quais não compartilho, ou melhor, não me
permito ingenuamente reproduzir.
As "razões" que motivaram a criação desse blog podem ser descobertas ao rever os posts, o que, no entanto, não impede que eu possa esclarecer que além de ter a comum ideia de compartilhar, com
quem interessar possa, leituras sobre teóricos e algumas de suas obras além de posteriores olhares sobre estas, fica claro que
o exercício de estudar temas e autores de relativo interesse, sirva como uma
postura de iniciação ao campo em observação.
Antes que se acabe, escrevo as minhas últimas palavras neste blog que me acompanhou no momento de terminar a graduação, se não fosse por ele... teria sido muito mais difícil chegar ao final. Concluída a graduação vou dar um tempo e em breve começo algum novo projeto, no entanto publicações em Ciências Sociais e em especial sociologia tem agora um novo destino. As revistas científicas serão a prioridade. Para quem acompanhava o Blog, deixo este último texto como reconhecimento aos leitores que acompanharam essas mal traçadas linhas.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
LAUDA XXXI
Elementos
para a compreensão crítica de pontos da História Econômica Geral
Com
Daniel Rocha*
À Prof.ª Dr.ª Rita Almico**
2010***
1.
Tomando
como “ponto de partida” a escola teórica marxista e como aporte histórico-econômico
a emergência do capitalismo enquanto modo de produção – onde o conjunto das “relações
sociais” se desenvolvem através do complexo processo de produção da vida
material de uma dada sociedade funcionando pela troca
(comércio,circulação,distribuição) de mercadorias, alicerçada na preservação e manutenção
da propriedade privada sendo o trabalho por esta forma assalariado), as “forças
produtivas” entendidas enquanto capacidades de transformação da natureza, estas
que são percebidas em elementos tais
como meios de produção do trabalho, a exemplo: a matéria-prima, os
instrumentos, o conhecimento científico gerado nesta sociedade, as fontes e
forma de obtenção de energia, etc.
Desdobrando assim outra categoria marxiana denominada:
“relações de produção” – nas quais para Karl Marx, na ação de produzir, os
homens agem sobre a natureza, mas também sobre si mesmos engenhando dessa forma
atrelamentos e “relações sociais necessárias” – que caracterizam o modo pelo qual
o homem está inserido no processo produtivo e qual o seu posicionamento no
ordenamento social, sendo assim resultado da hierarquização das classes.
Não obstante, ambas categorias explanadas estão
intimamente ligadas a outra forma teórica da ciência econômica marxista denominada
“relações de propriedade” – analisadas sob a lente da história as distintas
formas das relações com a propriedade está ligada ao progresso das relações sociais
– as quais no sistema capitalista possuem um teor privado,
no qual os bens de consumo e de produção podem são dominados por um proprietário
ou uma instituição, e alcança seu auge na conversão de qualquer atividade
produto do trabalho e, por conseguinte, o próprio trabalho em mercadoria.
2
2.1.
A organização
social percebida no sistema comunal primitivo ou modo de produção gentílico é a
formação social para o trabalho pertinente à família. O estrato familiar, fundamentada
na divisão sexual do trabalho, é a entidade de produção.
Onde há a
lacuna do Estado e também da propriedade particular. A formação social se
manifesta em função dos vínculos de parentesco. Em Marx percebe-se que os modos
de produção antigo, asiático e feudal em suas fases desenvolvimento, guardada
as devidas proporções, estavam subentendidos na sociedade comunal primitiva.
2.2.
A
segunda fase histórica do progresso das relações que tangem a propriedade –
“comunal e estatal da antiguidade” – diz respeito ao modo de produção
organizado pela divisão social do trabalho em comércio e trabalho ligado à
agricultura, o que da à luz uma vertical oposição entre campo e cidade. Alicerçada
na escravidão, forma de produção sistematizada na Antiguidade, a exemplo do
caso de sociedades como desenvolvimento do Estado romano. Ainda que houvesse a
instituição do trabalho livre, a escravidão é fonte de exploração do
trabalhador e o escravo, conseqüente, mercadoria central nas relações de
produção no tempo antigo.
O modo de
produção antigo está diretamente atrelado ao surgimento e desenvolvimento das
cidades. Não obstante estas permanecem ligadas e dependentes da formas de
subsistências gestadas no campo. A propriedade privada surge neste modo de
produção.
2.3
O
Feudalismo, a era da “propriedade feudal ou por estamentos”, tendo o modo de
produção feudal que entra em emergência como fusão e reordenamento dos modos de
produção germânico e escravista. Dando origem a próxima formação histórica da
propriedade. A formação histórica e social era agrária e possuindo o feudo como
matriz independente de produção. A propriedade antes pública ou particular
torna-se propriedade coletiva dos senhores feudais. No processo econômico os servos são a classe
explorada e pilar da produção. O regimento da servidão produz a dependência do
servo à gleba e a produção material é voltada para o senhor do feudal.
2.4.
Tem-se
então o modo de produção asiático, oriental ou despótico no qual a “propriedade
comunal ou tribal” é estrutura de sua arquitetura. O funcionamento da produção
desse sistema é a servidão coletiva, pela qual a produção é voltada para o ente
Estado. São modelos elevados deste modo de produção a Mesopotâmia e o Egito. A
unidade de produção auto-suficiente de agricultura e manufatura corresponde à
aldeia comunal, assim ocorre uma superação da dicotomia cidade/campo.
O formens asiático funda-se nos vínculos
fixos que o sujeito tem com a coletividade. Metabolismo social este assegurado
pela ação coercitiva do poder de um déspota que mantém de tal modo de produção.
3.
3.1
O modo de
produção feudal para Marx é aquele em que o produtor domina os meios de
produção e aparece como mecanismo produtivo independente. Essa independência em
relação à classe dominante vai ocasionar uma disputa constante entre nobres e
servos na luta pela terra, já que essa constitui o eixo central de sustentação
desse sistema. Dobb, por sua vez, acredita que havia uma variabilidade relativa
desse sistema dependendo do local a ser analisado. Ele constata que a melhor
forma de definição é aquela caracterizada como “jurídico-política”, a qual a
relação vassalo e soberano garantia os laços de servidão, sendo a
característica essencial desse modo de produção. Já Sweezy desconsidera a análise feita por
Dobb, e considera que os laços de servidão
e o sistema feudal não coadunam. O feudalismo para ele é aquele no qual
a os valores de uso e elementos externam atuam como força motriz de uma
“dinâmica” feudal. Perry Anderson em seu
texto faz uma análise estritamente política na qual o Estado Absolutista seria
resultado de uma herança feudal, em que uma nobreza reinventada detinha o
poder, e que por ser a terra ainda um eixo determinante dessa sociedade, ela
era eminentemente feudal.
3.2
Dentre as várias críticas feitas aos
trabalhos de Dobb, as que mais causaram impactos foram as de Sweezy. O debate
foi construído dentro do escopo da escola marxista, porém devido à amplitude do
mesmo, atingiu outras escolas de pensamento. Além das questões referentes à
transição dos modos de produção, a própria metodologia marxiana seria
discutida. Neste viés de discussão
epistemológica, Sweezy atribuía a desintegração do sistema feudal a fatores
externos, no caso o renascimento comercial. Segundo ele, as contradições
internas do feudalismo não culminariam no fim do feudalismo. Por outro lado,
Dobb sustenta a idéia de que “a necessidade crescente por maiores rendimentos
por parte da nobreza resultou na intensificação da exploração sobre os servos
até níveis insuportáveis, acentuando a luta de classes e determinando, no longo
prazo, o colapso da economia feudal”.
A importância deste debate reside no fato
de compreender as aplicações das teorias marxistas enquanto métodos de
investigação histórica.
3.3
Em relação à Sweezy, Mariutti acredita que
ele dá muita importância as relações comerciais, considerando-a como força
motriz capaz de desestruturar o feudalismo, não encontrando, portanto
sustentação na teoria marxista. Já em relação à Dobb, que apesar de considerar
como fator preponderante fatores internos como a luta de classes entre nobres e
servos pela posse da terra, não conseguiu obter sucesso já que Mariutti
acredita que o feudalismo não foi um modo de produção (o que constitui um
equívoco).
4.
As
afirmações de Perry Anderson e Sweezy sintetizam o modo como o Estado
Absolutista possuía em sua formação uma dominação exercida pela aristocracia
feudal. O Estado nada mais era do que uma recomposição de uma nobreza que
queria continuar detendo o poder, o que de certo modo se contrapõe a teoria de
Engels, o qual acreditava que existia um equilíbrio de poder entre uma nobreza
decadente e uma burguesia em ascensão.
Apesar de
haver características similares com o Estado tipicamente burguês como o
exército, direito instituído e burocracia, ainda havia uma grade concentração
de camponeses no campo evidenciando relações feudais persistentes e, de certo
modo, dominantes.
5.
5.1
Para
Perry Anderson as “inovações” do Estado Absolutista vão caracterizar uma nova
forma de tratar as relações feudais e serão essenciais para a passagem do
feudalismo para o capitalismo. A institucionalização do mercantilismo pelo
Estado Absolutista vai promover a expansão das relações comerciais que vão
implicar na mudança estrutural de exploração agrária feudal. Se anteriormente a
exploração do camponês se dava através de laços servis, agora ela foi diluída e
transformou o camponês em ‘trabalhador livre’ e sujeito a ‘contrato salarial’,
e promoveu a ascensão de uma burguesia urbana. “A ordem política permaneceu
feudal e, ao passo que a sociedade tornava-se cada vez mais burguesa”
(ANDERSON, Perry apud Engels), já quem
detinha o poder político nesse momento era uma aristocracia feudal que tinha
sofrido transformações ao longo da Idade Média.
Com a
expansão mercantilista e uma ascensão burguesa, do ponto de vista econômico era
necessária a introdução de um mecanismo que regulasse a propriedade privada e
que permitisse a livre circulação de capital, nesse momento é que vai ressurgir
o direito romano o qual vai ter um papel fundamental já que uma das suas
características essenciais é a concepção de propriedade privada absoluta da
terra, sendo um marco da era moderna. O exército, por sua vez, deriva da
necessidade da expansão e extração dos excedentes, e a guerra naquele momento
era o modo mais rápido e racional de consegui-los. A guerra, portanto vai permitir que a nobreza
amplie aquilo que lhe dá mais poder: a terra. Já o surgimento do sistema
burocrático no Estado Absolutista vai possibilitar tanto um melhoramento das
cobranças de impostos quanto de controle econômico. Apesar de Perry Anderson
considerar fatores como esses necessários a transição do modo produção feudal
para o modo produção capitalista, vai tratá-los como paradoxais. Apesar de
haver uma diluição dos laços feudais, nessa época ainda vai existir uma grande
gama de camponeses que vão sofrer forte pressão do Estado, contrapondo-se a uma
burguesia comercial em ascensão e que já dá forma as manufaturas
pré-capitalistas. Outro exemplo é a burocracia instaurada no seio da monarquia,
que nada mais é do que um resquício de uma nobreza feudal que quer se manter no
poder e que não contribui com o Estado. Outro resquício de um período anterior
são as guerras, que também são uma herança eminentemente feudal, no qual o
príncipe para se manter no poder deveria dispor das “espadas”, vale lembrar que
nessa época já se esboçava uma diplomacia que operava em nível micro que surgia
apenas com o objetivo de conseguir apoio de pequenas comunidades que podiam vir
a ser um entrave na gestão do monarca.
5.2
O
ressurgimento do Direito Romano na sociedade Moderna vai ser de grande
importância, ele vai resultar na tentativa de construir um arcabouço jurídico
em torno da garantia e delimitação da propriedade privada baseada nos preceitos
clássicos, sendo o conceito de propriedade privada absoluta da terra uma de
suas características principais e que marcam a época Moderna.
Economicamente,
vai proporcionar o início das relações capitalista com a livre circulação de
capital na cidade e no campo, proporcionando a garantia dos interesses da
burguesia comercial e manufatureira. Já politicamente, vai assegurar a
manutenção do poder nas mãos de uma aristocracia feudal. O Direito Romano então
pode ser considerado a arma intelectual das monarquias, a qual vai coincidir com
seus objetivos de integração territorial e centralização administrativa; já que
os reis nessas circunstâncias eram isentos de restrições legais, além de
proporcionar, ainda que em pequena escala uma
distribuição do poder entre as classes proprietárias da época.
* É estudante do bacharelado em Ciências Sociais na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB.
** Possui graduação em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1995), mestrado em História Econômica pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (2001) e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2009). Foi professora adjunta da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e de pós graduação da Faculdade São Bento da Bahia, sendo atualmente professora adjunta da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense.
*** Realizamos eu e Daniel este texto como requisito para a aprovação na disciplina de História Econômica Geral, ministrada na UFRB, em Cachoeira pela Professora Rita Almico.
Marcadores:
História Econômica; Perry Anderson
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Lauda XXX
Antropologia Visual na Universidade Estadual de Santa Cruz- UESC.
Ritual Indígena em Ilhéus, Tribo Tupinamba de Olivença.
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