quinta-feira, 20 de março de 2014

Zauber Zeit Entwurf


Or the science  of reborn.

Hoje, 20 de março, eu e mais alguns intelectuais brasileiros como : 

Luis Flávio Reis Godinho, Luiz Paulo Oliveira, Salete Nery, Wilson Rogério, Valdir Alves, Cesar Damásio, Ezequias Amorim  Oliveira, Maurício F. Silva, Jurema Machado, Sílvio Benevides, Antonio Eduardo, Graça Druck, Selma Silva, Jair Silva, Antônio da Silva Câmara, Adriano Pereira Santos, Giuliana Franco Leal,  Cristiano Ramalho, Paulo Sérgio da Costa Neves, Claudete Gomes, Danilo Martuscelli, Geraldo Augusto, Angêla Maria Araujo, Maíra Abreu, Tete Magalhães e o Centro Acadêmico Ciências Sociais da UNIFAL

recebemos em nossas caixas de entrada um importante email encaminhado pelo Cientista Social marxista Bruno Durães.

Este Blog, havia se encerrado por motivos que não quero agora comentar. Não são o mais importante neste momento. Agora, o que importa é atentarmos para a atual situação institucional da sociologia no ensino médio. Segundo o email, há um deputado federal (Ilzaci Lucas Ferreira PSDB/SP) tentando retirar a sociologia e a filosofia do currículo escolar. Atenção, muita atenção. Esse movimento assemelha-se ao movimento da ditadura. Estamos de olho e ficaremos atentos para preservar nossos direitos e nossos saberes. Nesse sentido, encaminham-se  para ser assinada uma petição e os links onde se pode ler mais sobre o assunto.


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Ao Presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves: Nós somos contra o Projeto de Lei nº 6.003, 2013

"O Projeto de Lei nº 6.003, 2013 do Deputado Federal Izalci (PSDB) visa a alteração dos arts. 9º, 35 e 36 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, de diretrizes e bases da educação nacional (LDB). O artigo 36 diz respeito à obrigatoriedade das disciplinas de Filosofia e Sociologia nos currículos escolares. E o Deputado Izalci deseja eliminar essa obrigatoriedade, ele pretende criar uma única disciplina, a fim de suprir o exercício de cidadania.

O problema disso, além de tratar como uma única disciplina, duas áreas do conhecimento que são completamente distintas, é a perda nos currículos escolares, uma vez que não sendo obrigatórias, diversas escolas podem optar por não disponibilizarem o conteúdo. E ainda que esteja disponível nas escolas, direcionar a Filosofia e Sociologia para o exercício da cidadania é despotencializar o que essas disciplinas tem a oferecer, qual seja, os conhecimentos reflexivo e crítico.

Não podemos permitir que nos tirem o aprendizado que extrapola a formalidade das demais disciplinas. É preciso que os jovens tenham a oportunidade de aprenderem a pensar por si mesmos, entretanto, com embasamento teórico e prático para fazê-lo e, ao eliminar a obrigatoriedade da Filosofia e Sociologia da grade curricular, estamos correndo o risco de deixar que formem no ensino médio jovens alienados e sem teor crítico. "

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Leia sobre:




Assine:




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Queime quando acabar de ler.

Escola de Sociologia e Política de São Paulo, 1972. Foto de Claudio Kahns
Razões suficientes para me aventurar nesta empresa, seja ela um ciber-espaço para atualizações, ou o acompanhamento de investigações de fundo crítico-sócio-histórico-literário, ainda que em forma embrionária, encontraram sua gênese, em opiniões que por algum motivo aleatório, se apresentaram como possíveis pontos de vista com os quais não compartilho, ou melhor, não me permito ingenuamente reproduzir.


Modestamente, não sei se é caso de tomar partido nesse momento ou se é um instante para fazer uma avaliação de que correntes de pensamento tem ocupado o território de conjecturas conceituais e teóricas no campo das ciências sociais ao qual eu tenho recentemente me dedicado com certo cuidado e ressalvas, porém no entanto, não tenho deixado de realizar, por ora, incursões em terreno tão extraordinário, quanto por demais complexo.



As "razões" que motivaram a criação desse blog podem ser descobertas ao rever os posts, o que, no entanto, não impede que eu possa esclarecer que além de ter a comum ideia de compartilhar, com quem interessar possa, leituras sobre teóricos e algumas de suas obras além de posteriores olhares sobre estas, fica claro que o exercício de estudar temas e autores de relativo interesse, sirva como uma postura de iniciação ao campo em observação.

Antes que se acabe, escrevo as minhas últimas palavras neste blog que me acompanhou no momento de terminar a graduação, se não fosse por ele... teria sido muito mais difícil chegar ao final. Concluída a graduação vou dar um tempo e em breve começo algum novo projeto, no entanto publicações em Ciências Sociais e em especial sociologia tem agora um novo destino. As revistas científicas serão a prioridade. Para quem acompanhava o Blog, deixo este último texto como reconhecimento aos leitores que acompanharam essas mal traçadas linhas.
   

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

LAUDA XXXI


Elementos para a compreensão crítica de pontos da História Econômica Geral

Com Daniel Rocha*
À Prof.ª Dr.ª Rita Almico**
2010*** 
1.
      Tomando como “ponto de partida” a escola teórica marxista e como aporte histórico-econômico a emergência do capitalismo enquanto modo de produção – onde o conjunto das “relações sociais” se desenvolvem através do complexo processo de produção da vida material de uma dada sociedade funcionando pela troca (comércio,circulação,distribuição) de mercadorias, alicerçada na preservação e manutenção da propriedade privada sendo o trabalho  por esta forma assalariado), as “forças produtivas” entendidas enquanto capacidades de transformação da natureza, estas que são percebidas em elementos  tais como meios de produção do trabalho, a exemplo: a matéria-prima, os instrumentos, o conhecimento científico gerado nesta sociedade, as fontes e forma de obtenção de energia, etc.
      Desdobrando assim outra categoria marxiana denominada: “relações de produção” – nas quais para Karl Marx, na ação de produzir, os homens agem sobre a natureza, mas também sobre si mesmos engenhando dessa forma atrelamentos e “relações sociais necessárias” – que caracterizam o modo pelo qual o homem está inserido no processo produtivo e qual o seu posicionamento no ordenamento social, sendo assim resultado da hierarquização das classes.
Não obstante, ambas categorias explanadas estão intimamente ligadas a outra forma teórica da ciência econômica marxista denominada “relações de propriedade” – analisadas sob a lente da história as distintas formas das relações com a propriedade está ligada ao progresso das relações sociais –  as quais no  sistema capitalista possuem um teor privado, no qual os bens de consumo e de produção podem são dominados por um proprietário ou uma instituição, e alcança seu auge na conversão de qualquer atividade produto do trabalho e, por conseguinte, o próprio trabalho em mercadoria.
 2
2.1.
 A organização social percebida no sistema comunal primitivo ou modo de produção gentílico é a formação social para o trabalho pertinente à família. O estrato familiar, fundamentada na divisão sexual do trabalho, é a entidade de produção.
      Onde há a lacuna do Estado e também da propriedade particular. A formação social se manifesta em função dos vínculos de parentesco. Em Marx percebe-se que os modos de produção antigo, asiático e feudal em suas fases desenvolvimento, guardada as devidas proporções, estavam subentendidos na sociedade comunal primitiva.

2.2.
      A segunda fase histórica do progresso das relações que tangem a propriedade – “comunal e estatal da antiguidade” – diz respeito ao modo de produção organizado pela divisão social do trabalho em comércio e trabalho ligado à agricultura, o que da à luz uma vertical oposição entre campo e cidade. Alicerçada na escravidão, forma de produção sistematizada na Antiguidade, a exemplo do caso de sociedades como desenvolvimento do Estado romano. Ainda que houvesse a instituição do trabalho livre, a escravidão é fonte de exploração do trabalhador e o escravo, conseqüente, mercadoria central nas relações de produção no tempo antigo.
      O modo de produção antigo está diretamente atrelado ao surgimento e desenvolvimento das cidades. Não obstante estas permanecem ligadas e dependentes da formas de subsistências gestadas no campo. A propriedade privada surge neste modo de produção.


2.3
      O Feudalismo, a era da “propriedade feudal ou por estamentos”, tendo o modo de produção feudal que entra em emergência como fusão e reordenamento dos modos de produção germânico e escravista. Dando origem a próxima formação histórica da propriedade. A formação histórica e social era agrária e possuindo o feudo como matriz independente de produção. A propriedade antes pública ou particular torna-se propriedade coletiva dos senhores feudais.  No processo econômico os servos são a classe explorada e pilar da produção. O regimento da servidão produz a dependência do servo à gleba e a produção material é voltada para o senhor do feudal.

2.4.
      Tem-se então o modo de produção asiático, oriental ou despótico no qual a “propriedade comunal ou tribal” é estrutura de sua arquitetura. O funcionamento da produção desse sistema é a servidão coletiva, pela qual a produção é voltada para o ente Estado. São modelos elevados deste modo de produção a Mesopotâmia e o Egito. A unidade de produção auto-suficiente de agricultura e manufatura corresponde à aldeia comunal, assim ocorre uma superação da dicotomia cidade/campo.
      O formens asiático funda-se nos vínculos fixos que o sujeito tem com a coletividade. Metabolismo social este assegurado pela ação coercitiva do poder de um déspota que mantém de tal modo de produção.
3.



3.1
      O modo de produção feudal para Marx é aquele em que o produtor domina os meios de produção e aparece como mecanismo produtivo independente. Essa independência em relação à classe dominante vai ocasionar uma disputa constante entre nobres e servos na luta pela terra, já que essa constitui o eixo central de sustentação desse sistema. Dobb, por sua vez, acredita que havia uma variabilidade relativa desse sistema dependendo do local a ser analisado. Ele constata que a melhor forma de definição é aquela caracterizada como “jurídico-política”, a qual a relação vassalo e soberano garantia os laços de servidão, sendo a característica essencial desse modo de produção.  Já Sweezy desconsidera a análise feita por Dobb, e considera que os laços de servidão  e o sistema feudal não coadunam. O feudalismo para ele é aquele no qual a os valores de uso e elementos externam atuam como força motriz de uma “dinâmica” feudal.   Perry Anderson em seu texto faz uma análise estritamente política na qual o Estado Absolutista seria resultado de uma herança feudal, em que uma nobreza reinventada detinha o poder, e que por ser a terra ainda um eixo determinante dessa sociedade, ela era eminentemente feudal.

3.2
      Dentre as várias críticas feitas aos trabalhos de Dobb, as que mais causaram impactos foram as de Sweezy. O debate foi construído dentro do escopo da escola marxista, porém devido à amplitude do mesmo, atingiu outras escolas de pensamento. Além das questões referentes à transição dos modos de produção, a própria metodologia marxiana seria discutida. Neste viés de discussão epistemológica, Sweezy atribuía a desintegração do sistema feudal a fatores externos, no caso o renascimento comercial. Segundo ele, as contradições internas do feudalismo não culminariam no fim do feudalismo. Por outro lado, Dobb sustenta a idéia de que “a necessidade crescente por maiores rendimentos por parte da nobreza resultou na intensificação da exploração sobre os servos até níveis insuportáveis, acentuando a luta de classes e determinando, no longo prazo, o colapso da economia feudal”.
      A importância deste debate reside no fato de compreender as aplicações das teorias marxistas enquanto métodos de investigação histórica.

3.3
      Em relação à Sweezy, Mariutti acredita que ele dá muita importância as relações comerciais, considerando-a como força motriz capaz de desestruturar o feudalismo, não encontrando, portanto sustentação na teoria marxista. Já em relação à Dobb, que apesar de considerar como fator preponderante fatores internos como a luta de classes entre nobres e servos pela posse da terra, não conseguiu obter sucesso já que Mariutti acredita que o feudalismo não foi um modo de produção (o que constitui um equívoco).
4.
      As afirmações de Perry Anderson e Sweezy sintetizam o modo como o Estado Absolutista possuía em sua formação uma dominação exercida pela aristocracia feudal. O Estado nada mais era do que uma recomposição de uma nobreza que queria continuar detendo o poder, o que de certo modo se contrapõe a teoria de Engels, o qual acreditava que existia um equilíbrio de poder entre uma nobreza decadente e uma burguesia em ascensão.
      Apesar de haver características similares com o Estado tipicamente burguês como o exército, direito instituído e burocracia, ainda havia uma grade concentração de camponeses no campo evidenciando relações feudais persistentes e, de certo modo, dominantes.
5.



5.1
      Para Perry Anderson as “inovações” do Estado Absolutista vão caracterizar uma nova forma de tratar as relações feudais e serão essenciais para a passagem do feudalismo para o capitalismo. A institucionalização do mercantilismo pelo Estado Absolutista vai promover a expansão das relações comerciais que vão implicar na mudança estrutural de exploração agrária feudal. Se anteriormente a exploração do camponês se dava através de laços servis, agora ela foi diluída e transformou o camponês em ‘trabalhador livre’ e sujeito a ‘contrato salarial’, e promoveu a ascensão de uma burguesia urbana. “A ordem política permaneceu feudal e, ao passo que a sociedade tornava-se cada vez mais burguesa” (ANDERSON, Perry apud Engels), já quem detinha o poder político nesse momento era uma aristocracia feudal que tinha sofrido transformações ao longo da Idade Média. 
      Com a expansão mercantilista e uma ascensão burguesa, do ponto de vista econômico era necessária a introdução de um mecanismo que regulasse a propriedade privada e que permitisse a livre circulação de capital, nesse momento é que vai ressurgir o direito romano o qual vai ter um papel fundamental já que uma das suas características essenciais é a concepção de propriedade privada absoluta da terra, sendo um marco da era moderna. O exército, por sua vez, deriva da necessidade da expansão e extração dos excedentes, e a guerra naquele momento era o modo mais rápido e racional de consegui-los.  A guerra, portanto vai permitir que a nobreza amplie aquilo que lhe dá mais poder: a terra. Já o surgimento do sistema burocrático no Estado Absolutista vai possibilitar tanto um melhoramento das cobranças de impostos quanto de controle econômico. Apesar de Perry Anderson considerar fatores como esses necessários a transição do modo produção feudal para o modo produção capitalista, vai tratá-los como paradoxais. Apesar de haver uma diluição dos laços feudais, nessa época ainda vai existir uma grande gama de camponeses que vão sofrer forte pressão do Estado, contrapondo-se a uma burguesia comercial em ascensão e que já dá forma as manufaturas pré-capitalistas. Outro exemplo é a burocracia instaurada no seio da monarquia, que nada mais é do que um resquício de uma nobreza feudal que quer se manter no poder e que não contribui com o Estado. Outro resquício de um período anterior são as guerras, que também são uma herança eminentemente feudal, no qual o príncipe para se manter no poder deveria dispor das “espadas”, vale lembrar que nessa época já se esboçava uma diplomacia que operava em nível micro que surgia apenas com o objetivo de conseguir apoio de pequenas comunidades que podiam vir a ser um entrave na gestão do monarca.

5.2
      O ressurgimento do Direito Romano na sociedade Moderna vai ser de grande importância, ele vai resultar na tentativa de construir um arcabouço jurídico em torno da garantia e delimitação da propriedade privada baseada nos preceitos clássicos, sendo o conceito de propriedade privada absoluta da terra uma de suas características principais e que marcam a época Moderna.
      Economicamente, vai proporcionar o início das relações capitalista com a livre circulação de capital na cidade e no campo, proporcionando a garantia dos interesses da burguesia comercial e manufatureira. Já politicamente, vai assegurar a manutenção do poder nas mãos de uma aristocracia feudal. O Direito Romano então pode ser considerado a arma intelectual das monarquias, a qual vai coincidir com seus objetivos de integração territorial e centralização administrativa; já que os reis nessas circunstâncias eram isentos de restrições legais, além de proporcionar, ainda que em pequena escala uma  distribuição do poder entre as classes proprietárias da época.



 * É estudante do bacharelado em Ciências Sociais na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB.
** Possui graduação em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1995), mestrado em História Econômica pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (2001) e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2009). Foi professora adjunta da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e de pós graduação da Faculdade São Bento da Bahia, sendo atualmente professora adjunta da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense.
*** Realizamos eu e Daniel este texto como requisito para a aprovação na disciplina de História Econômica Geral, ministrada na UFRB, em Cachoeira pela Professora Rita Almico.

     
     
     






sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Lauda XXX

Antropologia Visual na Universidade Estadual de Santa Cruz- UESC.




Ritual Indígena em Ilhéus, Tribo Tupinamba de Olivença.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Lauda XXIX




Creio que a minha obra como escritor é tão extensa quanto a de pintor. Materialmente, dediquei o mesmo tempo a ambas. Talvez algum dia, quando já tiver desaparecido, apareça nas enciclopédias da seguinte forma:  “Pablo Ruiz Picasso: poeta e autor dramático espanhol. Dele, se conservam algumas pinturas”.

 (P.89, 1985 O pensamento vivo  de Picasso, Ediouro.)


Poemas 

I
Eu me divirto
vendo a bruxa
incendiar o mundo
com os seus lábios de fogo.

II

À tarde
puxo delicadamente
com as unhas
a minha pele
e sinto toda aquela chama
que já está acesa
às cinco da manhã
e mais ainda agora
às três da tarde
e que faz ferver
os meus dez dedos.

III

O feltro
acolhe o pão
o mel quente
e os jasmins.

Tradução livre de Jaime Leitão.

***

“En el fondo, soy un poeta que se malogró. ¿No te parece?”

***

Deita fora todos os números não essenciais à tua sobrevivência.
Isso inclui idade, peso e altura.
Deixa o médico preocupar-se com eles.
É para isso que ele é pago.
Frequenta, de preferência, amigos alegres.
Os de "baixo astral" põem-te em baixo.
Continua aprendendo...
Aprende mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixes o teu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é a oficina do diabo.
E o nome do diabo é Alzheimer.

Aprecia coisas simples.
Ri sempre, muito e alto.
Ri até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem.
Aguenta, sofre e segue em frente.
A única pessoa que te acompanha a vida toda és tu mesmo.
Mantém-te vivo, enquanto vives!

Rodeia-te daquilo de que gostas:
Família, animais, lembranças, músicas, plantas, um hobby, o que for.
O teu lar é o teu refúgio.
Aproveita a tua saúde;
Se for boa, preserva-a.
Se está instável, melhora-a.
Se está abaixo desse nível, pede ajuda.
Não faças viagens de remorso.
Viaja para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faças
viagens ao passado.
Diz a quem amas, que realmente os amas, em todas as
oportunidades.

E lembra-te sempre que:
A vida não é medida pelo número de vezes que respiraste, mas pelos momentos
Em que perdeste o fôlego:
De tanto rir...
De surpresa...
De êxtase...
De felicidade...


PABLO PICASSO

Lauda XXVIII







Na Grécia antiga, o saber era conceitual, filosófico, ou seja, aquele capaz de sintetizar as experiências, tirando-as de sua desconcertante multiplicidade e reduzindo-as a uma sentença esclarecedora e universalmente válida. Na Idade Média, o saber haveria de servir a Deus - era teológico. No Renascimento, o saber deu início ao curso que o marcaria até hoje, estando ligado à experiência, ao contato direto com a natureza, com os corpos. O saber teria de ser harmônico com a natureza, teria de ter uma forma. Assim, o saber se assemelhava à arte, era quase estético, de um lado, e técnico de outro. Ou seja, a ciência sempre servia a uma outra esfera, ou melhor, confundia-se plenamente com ela: com a filosofia, com a teologia, com a arte, com a tecnologia. E agora? E no texto de Weber, a ciência é filosófica, teológica, estética, tecnológica?






PIERUCCI, Antônio Flávio. O desencantamento do mundo: todos os passos do conceito em Max Weber. São Paulo: Ed. 34, 2003.

Lauda XXVII

  DURKHEIM E AS FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA:

Apontamentos dispersos de uma leitura não sistemática.



Religião, ciência, filosofia, arte: revolução? Na leitura do texto que foi no título anunciado, a religião é apresentada como uma “forma elaborada de conhecimento.” Esta, orienta noções de tempo, de espaço, de gênero, de número, de causa, de substância, de personalidade, etc. A “ossatura” social, derivada da religião, atua enquanto uma percepção de um estado mental coletivo.
“É um quadro abstrato e impessoal que envolve não apenas nossa existência individual, mas, a da humanidade.” (p.17)

Kant e a experiência do conhecimento, a apreensão do real, essa e outras questões estão na raiz do pensamento do sociólogo francês, com o desenvolvimento de uma sociologia fundada num neokantismo voltado para os problemas sociais, “decalque”...

Questões de contradição, identidade então determinadas por regras históricas e sociais aliadas a contribuição mental, que alcança na universalidade um lugar comum dos espíritos, como por exemplo, a necessidade de nomear, sob a qual se apresenta a contradição entre o conhecimento a priori e o sujeito enquanto operário da construção do real.

 “importa ainda examinar o que é a religião de uma maneira geral. É o problema que, em todas as épocas, tentou a curiosidade dos filósofos e não sem razão, pois interessa à humanidade inteira.”

É claro que voltado a resolver os problemas da filosofia transcendental de Kant, Durkheim opera uma crítica ao método dialético. E avança em suas exposições

“Como todas as religiões são comparáveis, e como todas são espécies de um mesmo gênero, há necessariamente elementos essenciais que lhe são comuns” 

“As semelhanças exteriores supõem outras que são profundas” e “ Na base de todos os sistemas de crença todos os cultos, deve necessariamente haver um certo numero de representações fundamentais e de atitudes rituais que, apesar da diversidade de formas que tanto uma como outras puderam revestir, têm sempre a mesma significação objetiva e desempenham por toda parte as mesmas funções. São esses elementos permanentes que constituem o que há de eterno e de humano na religião; eles são o conteúdo objetivo da ideia que se  exprime quando se fala da religião em geral.”


Meios, ritos, circunstâncias, crenças diferenciam os modos de experimentar a atividade religiosa. Sacerdotes, místicos, monges, leigos, racionalistas, teólogos e profetas são categorias que definem o sistema religioso em Durkheim, onde expressões de sacrifício ou profetismo, a vida monástica ou de mistérios são formas de “encontrar os estados fundamentais característicos da mentalidade religiosa”.